Levantamento da Arquimedes sobre vacinas para a Piauí revela derrota de Bolsonaro nas redes sociais

Em levantamento realizado pela Arquimedes, para a revista Piauí, apurou-se que a palavra “vacina” foi mencionada 9,9 milhões de vezes apenas nos primeiros vinte dias de 2021 – média de 500 mil publicações ao dia. Para efeito de comparação, ao longo de todo o ano de 2020, a mesma palavra foi mencionada 25,8 milhões de vezes. Neste ano, os grandes personagens resumem-se a Jair Bolsonaro e seus apoiadores. O oponente é João Doria, governador de São Paulo, que nos últimos meses se esforçou para capitalizar politicamente em cima da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

Ao final de 2020, após mais de seis meses de pandemia e de conflitos com Doria, o presidente já havia se tornado inimigo declarado da vacina chinesa. Bolsonaro frequentemente declarava que as vacinas não haviam sido testadas e, que por isso, as fabricantes não se responsabilizariam por eventuais efeitos colaterais. Sobre a vacina da farmacêutica americana Pfizer, Bolsonaro chegou a dizer que o imunizante poderia fazer uma pessoa “virar Super-Homem”, assim como “nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino”. Vale lembrar da possibilidade de os vacinados virarem jacarés – declaração que imediatamente viralizou.

A base de apoiadores do presidente dominou o debate público sobre a vacina ao longo de 2020 e, pelas redes sociais, levantaram dúvidas a respeito da segurança dos imunizantes. Os seguidores de Bolsonaro também proferiram ataques a quem se colocavam em defesa da vacinação. No seio do “novo” movimento antivacina estão, desde o início, os seguidores de Olavo de Carvalho, que há tempos já se posicionava contra a vacinação infantil. Há uma sinergia evidente entre grupos antivacina e grupos de extrema direita.

O recorde absoluto de menções à vacina ocorreu no dia 17 de janeiro, com quase 2 milhões de publicações a respeito do assunto. Naquele dia, após uma reunião de cinco horas transmitida ao vivo em rede nacional, a Anvisa liberou o uso emergencial das vacinas disponíveis no Brasil. No mesmo dia, Doria vacinou a primeira pessoa no país, em cerimônia no Hospital das Clínicas de São Paulo. O governador foi a estrela do dia, citado em aproximadamente 400 mil publicações.

Diante de todos os desdobramentos referentes à imunização contra o Vocid-19, pode-se dizer que aposta de Bolsonaro fracassou (ao menos no que diz respeito à discussão nas redes). Sua agenda antivacina não mobilizou o debate e, com isso o seu cluster, que outrora dominou a pauta, agora se vê reduzido a pouco mais de 10% das menções ao tema da imunização. No grafo abaixo, que trata das citações à vacina no último dia 20, a bolha bolsonarista, isolada, é representada pela cor azul. A imagem retrata um universo de 548 mil menções nas redes.

Os dados revelam que o governo tem um grande problema a ser resolvido no mundo real – o mundo offline. A imagem de Pazuello, ministro da Saúde “especialista em logística”, está reduzida a pó nas redes sociais. Mesmo grupos bolsonaristas chegaram a zombar do general, que na última semana foi alvo de piadas em correntes de WhatsApp. Por tabela, a imagem das Forças Armadas também sofreu um desgaste significativo.

 

Leia o levantamento completo de Pedro Bruzzi no site da revista Piauí.

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